SAÚDE OCUPACIONAL, QUALIDADE DE VIDA E SATISFAÇÃO NO TRABALHO DOS AGENTES DE COMBATE ÀS ENDEMIAS DE BREJO SANTO, JATI E PENAFORTE NO ESTADO DO CEARÁ
Saúde do trabalhador. Qualidade de vida. Satisfação no trabalho. Agentes de combate a endemias. Vigilância epidemiológica.
Os Agentes de Combate às Endemias (ACE) constituem uma categoria profissional essencial à vigilância epidemiológica no Brasil, especialmente na prevenção, no monitoramento e no controle de doenças transmitidas por vetores. Entretanto, esses trabalhadores estão frequentemente expostos a condições laborais adversas e a diferentes riscos ocupacionais, que podem repercutir em sua saúde e bem-estar. Nesse contexto, investigar a qualidade de vida e a satisfação no trabalho dos ACE é relevante para compreender aspectos relacionados ao seu cotidiano laboral e subsidiar estratégias de promoção da saúde do trabalhador. Diante desse cenário, o presente estudo teve como objetivo analisar a qualidade de vida e a satisfação no trabalho dos ACE dos municípios de Brejo Santo, Jati e Penaforte, no Ceará, bem como verificar sua associação com características sociodemográficas e ocupacionais. Trata-se de pesquisa quantitativa, de delineamento transversal e caráter censitário, realizada mediante aplicação de questionário sociodemográfico e ocupacional, do instrumento WHOQOL-BREF, para avaliação da qualidade de vida, e o S20/23, para avaliação da satisfação no trabalho, junto a 40 dos 52 ACE que compõem a população-alvo do estudo, cuja coleta de dados permanece em andamento. Com relação ao perfil dos participantes houve predominância do sexo masculino, (92,5%), com idade média de 45,2 ± 9,9 anos, casados ou em união estável (57,5%) e com ensino médio completo (62,5%), vínculo empregatício concursado (82,5%) e mais de seis anos de atuação como ACE (82,5%). Os resultados parciais indicaram que a qualidade de vida foi avaliada como favorável, com maior média no domínio psicológico (77,2 ± 22,2) e menor no domínio ambiente (70,6 ± 21,4), enquanto o escore total dos quatro domínios foi de 74,4 ± 18,9. Em relação à satisfação no trabalho, observou-se escore total médio de 4,10 ± 0,82, em uma escala de 1 a 5, indicando níveis elevados de satisfação. O vínculo empregatício, o tempo de serviço e a escolaridade associaram-se de forma significativa a diferentes domínios de ambos os conceitos. Além disso, observou-se correlação positiva e de magnitude moderada entre a satisfação no trabalho e a qualidade de vida (rho=0,546; p=0,0003). Conclui-se, em caráter preliminar, que os ACEs que participaram da pesquisa apresentam boa percepção de bem-estar e satisfação laboral. Embora os resultados ainda sejam parciais, a continuidade da investigação poderá ampliar a compreensão desses aspectos e subsidiar estratégias municipais de valorização profissional, promoção da saúde e melhoria das condições laborais. Essa perspectiva está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030, especialmente ao ODS 3 ao ODS 8, que contemplam, respectivamente, a promoção da saúde e do bem-estar e a garantia de condições de trabalho seguras, dignas e produtivas.