CAPACIDADES ABSORTIVA E DESORTIVA NA TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA EM IESPs CEARENSES: diagnóstico multinível e proposição de Diretrizes Gerenciais
Transferência de Tecnologia. Capacidade Desortiva. IESPs. Ceará. Diretrizes Gerenciais.
No contexto brasileiro, a transferência de tecnologia (TT) em Instituições de Ensino Superior Públicas (IESPs) configura-se como um desafio complexo para o fortalecimento do sistema de inovação. Esta pesquisa tem por objetivo propor Diretrizes Gerenciais para a gestão da TT em IESPs cearenses, capazes de subsidiar o diagnóstico e a estruturação de rotinas absortivas e desortivas. A fundamentação teórica articula os conceitos de Capacidade Absortiva e Desortiva sob uma perspectiva multinível, evidenciando a lacuna literária quanto aos processos de externalização tecnológica (capacidade desortiva) em ecossistemas emergentes. Metodologicamente, o estudo adota o Design Science Research (DSR) como abordagem orientadora para a concepção do artefato gerencial, utilizando a estratégia de Estudo Multicasos em seis instituições (UFC, UECE, UFCA, URCA, IFCE e UNILAB). A coleta de dados compreendeu entrevistas semiestruturadas com gestores de Núcleos de Inovação Tecnológica (NITs) e análise documental exaustiva (PDIs, FORMICT e portfólios), com o processamento dos dados realizado por meio do software MAXQDA, permitindo a identificação de correlações multiníveis entre as barreiras diagnosticadas. Os resultados revelam que a eficácia da TT é obstruída prioritariamente pela descontinuidade administrativa e pela insegurança jurídica, que geram uma erosão da memória técnica e paralisia deliberativa. Observa-se que, apesar do aparato normativo nacional, a operacionalização da TT em regiões de interiorização apresenta uma adoção de caráter cerimonial. Como contribuição prática e teórica, o estudo concebe diretrizes estruturadas em eixos de Prontidão Operacional e Segurança Jurídica, a serem validadas conforme protocolo metodológico, visando a profissionalização da gestão e a superação do hiato entre a produção científica e a demanda do setor produtivo. Conclui-se que a institucionalização de fluxos perenes é condição essencial para a efetividade da função social da universidade no desenvolvimento regional.