AVALIAÇÃO DA TOXICIDADE DA LECTINA
DE Canavalia brasiliensis (ConBr) E SEU
EFEITO MODULADOR NO ESTRESSE
OXIDATIVO EM Nauphoeta cinerea
| Lectina; Bioquímica; Modelo alternativo |
Lectinas são proteínas capazes de reconhecer e se
ligar de forma não covalente a glicanos e grupos de
carboidratos sem alterar suas estruturas. A ConBr é
uma lectina das sementes de Canavalia brasiliensis
com especificidade para glicose e manose,
amplamente estudada por suas atividades
biológicas, incluindo efeitos antidepressivos,
neuroprotetores e imunomodulatórios. Diante desse
potencial, o presente trabalho investigou o perfil de
toxicológico da ConBr e sua capacidade de modular
o estresse oxidativo em dois modelos experimentais
utilizando Nauphoeta cinerea como organismo-
modelo. No primeiro estudo, avaliou-se a
toxicidade da ConBr em Artemia salina e sua
atividade neuroprotetora frente ao estresse
oxidativo induzido pelo nitroprussiato de sódio
(NPS). Em A. salina, as concentrações testadas (10,
25 e 50 μg/mL) não causaram toxicidade aguda nas
náuplias, mas reduziram significativamente as taxas
de eclosão de cistos, sugerindo interação da lectina
com estruturas glicoproteicas da casca dos ovos. O
tratamento com ConBr reverteu o aumento de
peroxidação lipídica, nitrito e ferro livre induzido
por NPS em N. cinerea. O efeito foi concentração-
dependente e observado em todas as concentrações
após 48 h. Já a concentração de 50 μg/mL
demonstrou maior amplitude de proteção, sendo
eficaz nos intervalos de 24 e 48 h do experimento.
No segundo estudo, investigou-se o efeito da ConBr
no estresse oxidativo induzido pela proteína Spike
da variante Omicron do SARS-CoV-2 em tecidos
neural e muscular de N. cinerea. A exposição à
Spike (50 μg/mL, via intramuscular) reduziu
significativamente os níveis de tióis totais e não
proteicos e elevou a peroxidação lipídica, o ferro
livre e o nitrito, caracterizando forte dano
oxidativo. A coaplicação com ConBr nativa
reverteu esses parâmetros, enquanto a ConBr
desnaturada não exerceu efeito protetor,
confirmando que a atividade citoprotetora da lectina
depende de sua integridade estrutural. Em conjunto,
os resultados demonstram que a ConBr apresenta
perfil seguro em concentrações abaixo de 50 μg/mL
e atua como modulador redox eficaz em modelode
estresse oxidativo, reforçando seu potencial como
ferramenta farmacológica no estudo de mecanismos
antioxidantes e abrindo perspectivas para
aplicações em modelos de doenças neurológicas e
infecciosas.